Segurar as mãos de alguém pode reduzir a percepção da dor

Estudo aponta que ficar de mãos dadas altera as ondas cerebrais e funciona como um analgésico natural

 

Instintivamente seguramos a mão de alguém quando estamos em situações que geram dor e medo: no parto, ao tomar uma injeção e, até, antes de um diagnóstico importante. Você já tinha notado isso?

Para alguns, isso pode parecer estranho, mas o simples ato de ficar de mãos dadas nos dá a sensação de segurança e conforto.

Para aprofundar o porquê de agirmos assim, pesquisadores do Instituto de Ciência Cognitiva da Universidade do Colorado em Boulder resolveram fazer um estudo para checar o que acontece no nosso cérebro.

Pavel Goldstein contou que a ideia de liderar a pesquisa partiu de casa. “Minha esposa estava com dor e tudo que eu pensei foi 'O que eu posso fazer para ajudá-la?'. Peguei em sua mão e pareceu aliviar”, explicou ao site Medical Daily.

Teste de dor

A pesquisa realizada contou com 22 casais jovens heterossexuais que foram monitorados com toucas de eletroencefalograma, para monitorar a atividade cerebral. Cada casal foi exposto a diferentes cenários durante alguns segundos: sentados juntos, mas sem encostar; sentados em salas separadas; e sentados juntos de mãos dadas. O teste durou cerca de dois minutos, e para avaliar a intensidade da dor incluíram uma barra de metal aquecida a 43ºC, 45ºC e 47ºC graus e pressionada contra o braço das participantes mulheres por 7 segundos. Após esse estímulo doloroso, elas tinham que classificar o nível de dor de 0 (sem dor) a 100 (a pior dor).

Os pesquisadores calcularam a temperatura com intensidade 60 como sendo suportável, sem que as participantes soubessem. E, então, pressionaram a barra por dois minutos seguidos (nas três posições) e elas tinham de dizer o quanto de dor estavam sentindo.

Já no fim do experimento, os cientistas analisaram que quanto mais próximo o casal estava, mais similar era o padrão de ondas cerebrais detectado principalmente quando havia dor. Esse resultado foi nomeado como “sincronização interpessoal”, e compreende não apenas ondas cerebrais, mas batimentos cardíacos e ritmo da respiração. A sincronia acontecia quando o casal permanecia de mãos dadas, e quanto mais similares as ondas cerebrais, menor era a dor sentida pelas voluntárias.

Pele na pele

Os pesquisadores ainda não encontraram uma explicação sobre o que liga ondas cerebrais, toque e percepção de dor. Entretanto, quanto ao toque, outros estudos dão uma pista do que ocorre no organismo.

Quando tocamos a pele de alguém, nosso organismo produz a oxitocina, o hormônio que causa bem-estar, prazer. Esse hormônio é um dos responsáveis por diminuir sentimentos de ansiedade e de dor, por reduzir os níveis de hormônios de estresse, como o cortisol. Isso pode ser um palpite para entender o que acontece no nosso corpo. Na dúvida: dê a mão a alguém que esteja em um momento de dor, seja ela qual for.

 

Tags: casal Dor mãos dadas ondas cerebrais oxitocina pesquisa

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