Saiba como repartir as contas sem afetar o seu casamento

Cada casal precisa conhecer suas necessidades e estabelecer as próprias normas para a administração das contas


Dividir o espaço com alguém implica em fazer algumas mudanças na rotina. Decidir quem vai dormir do lado esquerdo da cama é fácil: a dificuldade maior está em dividir as responsabilidades de cada um no pagamento das despesas do lar. "Pesquisas mostram que assuntos relacionados ao dinheiro são o segundo maior motivo de separação no mundo, perdendo apenas para a infidelidade", escreveu Gustavo Cerbasi, mestre em administração e finanças, em seu livro “Os segredos dos Casais Inteligentes” (Editora GMT).

Isso também acontece com sócios, parceiros em negócios, irmãos que trabalham juntos e até entre comerciantes e clientes. E não por acaso. Afinal, o dinheiro é um meio para viabilizar nossas ambições e, por isso, ele mexe tanto com o nosso emocional.

O educador financeiro Reinaldo Domingos, diretor do Instituto DSOP, compartilha da mesma opinião de Cerbasi: “Sem dúvida, um dos maiores motivos de discussão entre os casais é a vida financeira. E para que não haja problemas, é preciso que eles conversem muito, antes mesmo de dividirem o mesmo teto”, diz Domingos.

É essencial, por exemplo, que o casal tenha uma ideia clara de como serão as coisas depois do casamento, se os dois vão dividir todas as contas ou se cada um vai se responsabilizar por despesas específicas. “Mas um detalhe: todas as decisões devem ser compartilhadas”, aconselha Domingos.

Para chegar a um denominador comum, não há receita de bolo. Cada casal precisa conhecer suas necessidades e estabelecer as próprias normas para a administração das contas. “O que acontece é que a maioria dos casais não chega sequer a falar do assunto antes de ir morar junto. Por isso, a minha sugestão é: quanto antes vocês conversarem sobre finanças, melhor”, diz o especialista.

Conta conjunta ou separada?
Essa é uma das decisões mais importantes que o casal precisa tomar. A conta conjunta pode ser uma boa opção quando ambos contribuem de acordo com os ganhos. Algumas despesas essenciais poderão ser colocadas em débito automático e as compras da casa também poderão ser pagas com o cartão dessa conta.

Ainda assim, os especialistas recomendam que cada um mantenha uma parte de seu salário em uma conta individual, para seus gastos pessoais. Isso evita que as idas ao cabeleireiro ou a cervejinha com os amigos na sexta-feira virem motivo de briga entre os dois. Outra boa ideia é abrir uma poupança em nome do casal e reservar parte dos salários para o caso de ocorrer um imprevisto ou uma emergência. Isso ajuda a amenizar o estresse da família diante de uma dificuldade.

Porém, se o casal não quiser administrar contas conjuntas, a saída é abrir uma conta em nome de apenas um dos dois. Esse modelo também funciona, desde que ambos se comprometam a depositar a quantia acordada.

Como definir quanto cada um vai depositar?
Foi-se o tempo em que os homens eram considerados os principais responsáveis pelos gastos da família. Hoje em dia, usar o sexo como um critério para a divisão das despesas não faz mais sentido, já que algumas mulheres ganham bem mais que seus maridos. Uma referência mais equilibrada pode ser o valor do salário líquido de cada um. “Quem ganha mais deve depositar, proporcionalmente, uma quantia maior”, sugere Domingos.

E quem assume a contabilidade?
Organizar as finanças do casal vai muito além de pagar as contas do mês. É fundamental que todas as despesas sejam planejadas, de acordo com a receita da família. Além disso, o casal deve se organizar para investir em sonhos maiores, de médio e longo prazos.

E, para dar conta de tudo isso, o ideal é que o casal se comprometa a fazer um controle. No entanto, se apenas um dos dois tem tino para a coisa, é preferível que o mais organizado fique no comando do orçamento. Porém, é preciso lembrar que, seja como for, ambos terão a responsabilidade de cumprir com a sua parte para que o planejamento dê certo. “Se o casal conversar bastante e conseguir chegar a um consenso antes de agir, a situação ficará sob controle e vão acabar as discussões por causa de dinheiro”, garante o educador financeiro.

Leia também “Conta conjunta pode fazer bem para o orçamento, dizem especialistas”.

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