Cuidado com as compras parceladas!

Ainda que as prestações sejam um mal necessário, é preciso pensar bem antes de fazê-las

Quem consegue juntar dinheiro e comprar à vista geralmente tira proveito no momento de negociar o preço de um produto ou serviço. Já para adquirir bens de valor mais elevado, dividir em várias parcelas é, muitas vezes, a única alternativa possível. Contudo, ainda que as prestações sejam um mal necessário, é preciso pensar bem antes de fazê-las.

“Pagar em parcelas as compras que você faz todos os meses, no mercado ou na farmácia, por exemplo, é um péssimo negócio. Porque, nesse caso, as dívidas irão se acumular”, alerta o consultor financeiro Erasmo Vieira. Ele defende que apenas as compras extraordinárias, como a aquisição de um eletrodoméstico, sejam pagas em parcelas.

Outra variável a ser analisada é o tempo que aquele bem ou serviço irá durar e quando será preciso renová-lo, fazendo um novo investimento. “Se a pessoa joga bola e compra um tênis, por exemplo, não deve parcelar em mais de 10 vezes. Porque o calçado não vai durar mais do que 10 meses e, se ele tiver que comprar outro novo e ainda estiver pagando o antigo, as dívidas irão se sobrepor”, explica Vieira. Uma geladeira, por outro lado, poderá durar anos. Então, seguindo esse raciocínio, ela poderia ser parcelada em mais vezes, sem riscos de desequilibrar o orçamento doméstico.

Uma dica do consultor financeiro Gustavo de Carvalho Chaves é não comprometer mais do que 30% dos rendimentos com todos os financiamentos e compras em prestações somados, a cada mês.

Quanto menos, melhor
Os especialistas são unânimes em afirmar que, havendo dinheiro em caixa, é sempre bom pagar à vista ou, então, no menor número possível de parcelas. Principalmente se houver juros. Nesse caso, é interessante comparar o valor pelo qual o produto ou serviço está sendo vendido à vista e multiplicar o valor de cada parcela pelo número de prestações. Se houver diferença entre um e outro, é porque você terá taxas a pagar. “Se os juros forem muito altos e a compra não for uma emergência, o melhor mesmo é esperar, juntar mais e negociar em condições mais favoráveis”, finaliza Chaves.